 |
A
1ª Igreja Presbiteriana de Paulo Afonso-Ba,
organizada em 14 de abril de 1974, é parte
integrante da Igreja Presbiteriana do Brasil, herdeira
da Reforma Protestante do Século XVI. Os
crentes na tradição reformada têm
alta consideração as contribuições
específicas como as de Matinho Lutero, John
Knox e, particularmente, de João Calvino.
Os cristãos reformados sustentam as doutrinas
características de todos os cristãos,
incluindo a Trindade, a verdadeira divindade e
verdadeira humanidade de Jesus Cristo, a necessidade
do sacrifício de Jesus Cristo pelo pecado,
a Igreja como uma instituição divinamente
estabelecida, a inspiração da Bíblia,
a exigência para que os cristãos
tenham uma vida reta e a ressurreição
do corpo. Sustentam outras doutrinas em comum
com cristãos evangélicos, tais como
justificação somente pela fé,
a necessidade do novo nascimento, o retorno pessoal
e visível de Jesus Cristo e a Grande Comissão.
DOUTRINA
DE DEUS E DA SANTÍSSIMA TRINDADE
I. Há um só Deus vivo e verdadeiro,
o qual é infinito em seu ser e perfeições.
Ele é um espírito puríssimo,
invisível, sem corpo, membros ou paixões;
é imutável, imenso, eterno, incompreensível,
- onipotente, onisciente, santíssimo, completamente
livre e absoluto, fazendo tudo para a sua própria
glória e segundo o conselho da sua própria
vontade, que é reta e imutável.
É cheio de amor, é gracioso, misericordioso,
longânimo, muito bondoso e verdadeiro remunerador
dos que o buscam e, contudo, justíssimo
e terrível em seus juizos, pois odeia todo
o pecado; de modo algum terá por inocente
o culpado.
Ref. Deut. 6:4; I Cor. 8:4, 6; I Tess. 1:9; Jer.
10:10; Jó 11:79; Jó 26:14; João
6:24; I Tim. 1:17; Deut. 4:15-16; Luc. 24:39;
At. 14:11, 15; Tiago 1:17; I Reis 8:27; Sal. 92:2;
Sal. 145:3; Gen. 17:1; Rom. 16:27; Isa. 6:3; Sal.
115:3; Exo3:14; Ef. 1:11; Prov. 16:4; Rom. 11:36;
Apoc. 4:11; I João 4:8; Exo. 36:6-7; Heb.
11:6; Nee. 9:32-33; Sal. 5:5-6; Naum 1:2-3.
II. Deus tem em si mesmo, e de si mesmo, toda
a vida, glória, bondade e bem-aventurança.
Ele é todo suficiente em si e para si,
pois não precisa das criaturas que trouxe
à existência, não deriva delas
glória alguma, mas somente manifesta a
sua glória nelas, por elas, para elas e
sobre elas. Ele é a única origem
de todo o ser; dele, por ele e para ele são
todas as coisas e sobre elas tem ele soberano
domínio para fazer com elas, para elas
e sobre elas tudo quanto quiser. Todas as coisas
estão patentes e manifestas diante dele;
o seu saber é infinito, infalível
e independente da criatura, de sorte que para
ele nada é contingente ou incerto. Ele
é santíssimo em todos os seus conselhos,
em todas as suas obras e em todos os seus preceitos.
Da parte dos anjos e dos homens e de qualquer
outra criatura lhe são devidos todo o culto,
todo o serviço e obediência, que
ele há por bem requerer deles.
Ref. João 5:26; At. 7:2; Sal. 119:68;
I Tim. 6: 15; At - . 17:24-25; Rom. 11:36; Apoc.
4:11; Heb. 4:13; Rom. 11:33-34; At. 15:18; Prov.
15:3; Sal. 145-17; Apoc. 5: 12-14.
III. Na unidade da Divindade há três
pessoas de uma mesma substância, poder e
eternidade - Deus o Pai, Deus o Filho e Deus o
Espírito Santo, O Pai não é
de ninguém - não é nem gerado,
nem procedente; o Filho é eternamente gerado
do Pai; o Espírito Santo é eternamente
procedente do Pai e do Filho.
Ref. Mat. 3:16-17; 28-19; II Cor. 13:14; João
1:14, 18 e 15:26; Gal. 4:6.
------------------------------------------------------------------------
CONFISSÃO DE FÉ
Clique
aqui para ler nossa confissão de fé
* Este arquivo está no formato "pdf"
e necessita do Acrobat Reader.
------------------------------------------------------------------------
IGREJA REFORMADA
1. Introdução
2. A Fé Reformada
3. Os princípios reformados
4. Teocentricidade
5. Depravação Total
6. Eleição Incondicional
7. O Sacrifício Limitado
8. Graça Irresistível
9. Perseverança dos Santos
10. Pactualmente Ordenado
11. Batismo Infantil
12. Conclusão
Introdução
Basicamente, quando falamos de Fé Reformada,
referimo-nos à verdadeira religião
cristã, como foi recuperada durante a Reforma
Protestante dos séculos 16 e 17. Esse texto
tratará de alguns assuntos referentes à
fé Reformada, que a Igreja Presbiteriana
do Brasil crê, mas você não
encontrará a abordagem daqueles pontos
cardeais da religião cristã que
as Igrejas Reformadas compartilham com as demais,
a saber, a Trindade, a expiação,
a justificação pela fé, o
nascimento virginal e a ressurreição
corpórea de Jesus, seus milagres e a inspiração
das Escrituras Sagradas.
A Fé Reformada adota todas as doutrinas
apostólicas estabelecidas na Bíblia
e formuladas em credos pelos grandes concílios
ecumênicos da Igreja Primitiva. Ela é
um relacionamento com Deus, através da
mediação de Jesus Cristo, baseado
no Evangelho revelado por Ele e pelas Escrituras
Sagradas.
O conteúdo desse trabalho é seletivo
e não abrange toda a fé cristã;
não se pretende nem objetiva oferecer um
resumo exaustivo da fé Reformada, antes
aborda os princípios reformados, a Teocentricidade,
a eleição, o sacrifício de
Cristo e a Graça Irresistível de
Jesus por nós, pecadores.
Fé Reformada como a forma mais consistente
de Cristianismo
A Fé Reformada é a religião
Cristã em sua expressão mais consistente.
Esta não é uma reivindicação
de que outras, que não seguem as confissões
Reformadas, não sejam Cristãs. É
simplesmente a insistência de que há
apenas uma religião verdadeira e de que
sua expressão mais consistente é
a Fé Reformada. O próprio Jesus
disse: “13. Entrai pela porta estreita;
porque larga é a porta, e espaçoso
o caminho que conduz à perdição,
e muitos são os que entram por ela; 14.
e porque estreita é a porta, e apertado
o caminho que conduz à vida, e poucos são
os que a encontram.” (Mt. 7.13-14) Não
há duvida de que alguns vêem este
caminho mais claramente do que outros. E Jesus
não disse que apenas os consistentes seriam
capazes de entrar. Mas como é claro que
há apenas um caminho! Além disso,
Jesus claramente insistiu para que este único
caminho de salvação fosse ensinado
consistentemente. “18 E, aproximando-se
Jesus, falou-lhes, dizendo: Foi-me dada toda a
autoridade no céu e na terra. 19 Portanto
ide, fazei discípulos de todas as nações,
batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do
Espírito Santo; 20 ensinando-os a observar
todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis
que eu estou convosco todos os dias, até
a consumação dos séculos.”(Mt.
28.18-20). A manutenção do conteúdo
consistente e integral da religião verdadeira
é assunto de maior importância. Não
nos cabe julgar o quanto um pecador em particular
deve saber para que seja salvo. Mas não
há dúvida quanto à tarefa
da Igreja neste mundo: preservar integralmente
a palavra de Cristo com ensino consistente e fiel.
Os Princípios Reformados
1. Base Bíblica
A Fé Reformada considera a Bíblia
com a maior seriedade. Esta não é
senão outra maneira de dizer: “Porque
dele, e por ele, e para ele, são todas
as coisas; glória, pois, a ele eternamente.
Amém.” (Rm. 11.36). A Fé Reformada
busca manter corretamente entendido o ensino integral
da Bíblia. Não temos espaço
aqui para desenvolver as ênfases específicas
da Fé Reformada. Mas esperamos que apenas
através deste breve estudo o leitor poderá:
(1) ver que há uma profunda diferença
entre a Fé Reformada e todas as demais
formulações menos consistentes da
Fé Cristã e (2) ser desafiado a
investigar com mente aberta nossa reivindicação
de que esta Fé Reformada é nada
mais nada menos, que o ensino que a Bíblia
consistentemente expressou.
a. Suficiência
A Fé Reformada encontra toda a sua autoridade
no ensino da Palavra de Deus. A Bíblia
é a única regra infalível
sobre o que devemos crer e como devemos viver.
Revelações carismáticas contínuas,
profecias ou línguas estranhas não
mais são necessárias porque Deus
falou Sua Palavra final e toda suficiente ao completar-se
o cânon das Escrituras Sagradas. A Bíblia
e apenas a Bíblia - esta é a nossa
confissão!
b. Necessidade
A Bíblia é a revelação
da vontade e da pessoa de Deus. “o homem
não vive só de pão, mas de
tudo o que sai da boca do Senhor” (Dt 8.3).
Mas as pessoas tentam por natureza viver de pão
apenas sem aquela Palavra; eles tentam viver pela
sua própria sabedoria (cf. Sl. 36.1-4).
A verdade, entretanto, é que homem nenhum
pode viver sem a luz da revelação
especial de Deus. Isto era verdade para o primeiro
homem criado, Adão, mesmo antes de ele
cair em pecado ao negar a luz de Deus e desobedecê-LO.
Adão, embora criado perfeito e com a lei
de Deus inscrita em seu coração,
mesmo assim necessitava de que uma luz exterior
brilhasse sobre ele para habilitá-lo a
andar de acordo com as ordens de Deus. Adão
ainda necessitava de que Deus falasse com ele.
Ele sabia muito, em virtude de ter sido feito
à imagem de Deus, mas ainda necessitava
da voz divina. E é também assim
com todos os descendentes de Adão, gostem
eles ou não de ouvir isto. Em Romanos 1.21,
o apóstolo Paulo faz a surpreendente afirmação
de que por natureza todos sabem a respeito da
existência e poder de Deus devido ao Seu
trabalho na criação do universo,
e ainda assim rejeita e despreza essa luz que
eles têm. Desde a queda da humanidade, a
vontade humana foi grosseiramente pervertida.
Cada um de nós, afastados da ação
salvadora de Deus, quer seguir seu próprio
caminho, ao invés do caminho de Deus. Este
caminho, expresso na lei de Deus, é parte
do íntimo do nosso ser. Ninguém
pode escapar da consciência, a qual gera
uma constante atividade de acusar ou desculpar.
Mas a linha básica é que, afastados
do trabalho regenerador de Deus, todos nós
odiamos a lei de Deus porque somos descendentes
do Adão caído (cf. Jo 3.19-20).
Conseqüentemente, nossa única esperança
é o Evangelho. Após declarar que
o homem ama a escuridão, Jesus disse “21
Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim
de que seja manifesto que as suas obras são
feitas em Deus.” (Jo 3.21). As Escrituras
Sagradas são “indispensáveis”
porque somente através dela vem “aquele
conhecimento de Deus e da sua vontade necessário
para a salvação” (Confissão
de Fé de Westminster I.1). Os cristãos
precisam da Bíblia também. Disse
Jesus “Se vós permanecerdes na minha
palavra, verdadeiramente sois meus discípulos;”
(Jo 8.31). Como conheceremos esse ensino a menos
que nosso caminho seja iluminado? Os crentes mostram-se
serem felizes portadores da graça de Deus
ao obedecer a Sua Palavra e andar na Sua luz.
Inerrância
A Bíblia está livre de erros, uma
vez que foi entregue pelas mãos de Deus.
O salmista diz o seguinte: “A lei do Senhor
é perfeita... Os estatutos do Senhor são
dignos de confiança... Os preceitos do
Senhor são justos... O temor [objeto de
referência, chamado, a Palavra de Deus]
do Senhor é puro” (19:7-9). A ultima
característica significa “sem defeito”.
Será que nós imaginávamos
de outra forma, sabendo que a Bíblia é
o sopro de Deus? (Ref. 2 Tim. 3:16, “Toda
escritura é inspirada por Deus” e
2 Pe. 1:21, “Pois a profecia nunca teve
sua origem na vontade humana, mas os homens falaram
de Deus sendo levados pelo Espírito Santo.”-
O verbo grego para “sendo levados”
algumas vezes descreve o efeito que o vento faz
em um barco a velas.). A Bíblia não
caiu do céu. Homens escreveram, mas com
sua forma de escrita, com toda variedade de vocabulário
e estilo próprio, o Espírito Santo,
pela sua palavra e exposição, foi
determinante para o resultado da Palavra. Os autores
humanos foram levados pelo seu poder, assegurando
que o produto seria sem defeito. Conseqüentemente,
como a Fé Reformada insiste, a Bíblia
é infalível e absolutamente digna
de confiança.
Clareza
A Bíblia é clara e isso é
fruto de sua inerrância. Salmo 19:8 diz,
“Os mandamentos do Senhor são radiantes,
trazendo luz aos olhos.” A analogia (trazer
luz) é: sem mácula, pura, que não
se mistura com outro material conflitante ou controverso.
A Bíblia não seria clara se houvesse
uma mistura de verdades e erros. Isso não
quer dizer que tudo o que contém na Bíblia
está igualmente formado. Existem doutrinas
nas Sagradas Escrituras que confundem a mente.
Nos sabemos o que a doutrina da Trindade não
significa (a igreja primitiva gastou centenas
de anos para definir as “explicações”!).
Nós sabemos como a Bíblia nos apresenta
esse assunto: existe um só Deus; esse Deus
único existe em três pessoas; cada
pessoa é distinta. As crenças reformadas
não declaram poder esclarecer isto. Mas
eles firmemente crêem nisto. Não
há uma necessidade para que “experts”
no assunto, nos guiem através “caminhos
obscuros”. Pois como diz nossa confissão
de fé: “Na Escritura não são
todas as coisas igualmente claras em si, nem do
mesmo modo evidentes a todos; contudo, as coisas
que precisam ser obedecidas, cridas e observadas
para a salvação, em um ou outro
passo da Escritura são tão claramente
expostas e explicadas, que não só
os doutos, mas ainda os indoutos, no devido uso
dos meios ordinários, podem alcançar
uma suficiente compreensão delas.”
(CFW, I-7).
Teocentricidade
a. Sua Glória
O Breve Catecismo de Westminster toma seu primeiro
passo sobre as verdades cristãs, afirmando
que “O fim principal do homem é glorificar
a Deus e gozá-lo para sempre” (Primeira
Pergunta). È apresentado no texto abaixo
aquilo que certamente reflete as Sagradas Escrituras:
“Portanto, quer comais, quer bebais ou façais
outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória
de Deus.” (1 Cor. 10:31); “Quem mais
tenho eu no céu? Não há outro
em quem eu me compraza na terra.” (Sl. 73:25).
Glorificar a Deus, ou buscar a glória de
Deus é certamente um conceito bem central
na fé Cristã. Mesmo assim, como
muitas palavras e frases familiares, esse ponto
não admite uma fácil explicação.
Entretanto, isso é importante para nós
termos uma boa noção bíblica
do que realmente significa, porque isso nos leva
ao âmago de nossa Fé, e sem dúvida,
daquilo que Deus quer que conheçamos e
façamos. Perceba que o Catecismo não
faz uma pausa para provar a verdade que o mesmo
explica; ele começa de uma só vez
afirmando em extensos termos o que Deus é,
e o que nós devemos a Ele é um coração
contrito e entregue para sua glória e louvor.
O que nós cremos e dizemos sobre o próprio
Deus é o começo e o fim de toda
palavra e moral. Asafe, no Salmo 73, confessa
que a sua aflição só aumentarem
quando ele se afastou de um humilde reconhecimento
da verdade de todas as verdades: Deus é
Jahvé, o nome pelo qual Ele se revela a
Moisés na sarça ardente, significa
“Eu sou”. Os teólogos têm
uma palavra especial para esse tão “confuso”
atributo de Deus que é apresentado aqui;
eles tratam esse ponto como parte de sua característica.
Ele somente é, por Ele mesmo, independente
de qualquer outra coisa. Perceba a progressão
na experiência de Asafe. Sua tentação
era ver o mundo separado de Deus, com os fracos
(vers. 3-11). Seu pensamento conduz ao ateísmo
prático (vers. 12-14). Sua vida inteira,
corpo e espírito, eram compreensivelmente
devastados (vers. 4, 16, 21, 22). Mesmo, sua cura
(restauração) necessariamente envolveria
um novo e humilde comprometimento com a pessoa
de Deus, como a experiência vivida por Jó
(vers. 17-20). Deus é glorioso em si mesmo,
separado de toda sua criação. Ele
tem glória N’Ele mesmo. É
sua própria glória, e ela é
total, completa e perfeita. De fato, Deus foi
revelado a Israel como “o Deus de Glória”
(Sl. 29:3). Glória é o que faz D’Ele
Deus , não há divindade sem glória.
A palavra hebraica é shekinah, que se refere
ao radiante esplendor de sua pessoa, a luz do
ser de Deus. Você se lembra do pilar formado
por uma nuvem branca durante o dia e um pilar
de fogo durante a noite? Isto foi a manifestação
de sua beleza, de seu ser maravilhoso. Todas as
palavras serão insuficientes, tudo o que
podemos declarar é que Deus é glorioso.
b. A Sua Salvação Triúna
Mas como nós, que estamos mortos em nossos
erros e pecados, alcançamos este alto e
digno objetivo? A resposta se encontra no fato
de que o verdadeiro Deus, o Deus da Bíblia,
que é triúno, se tornou nosso salvador.
Quando enfatizamos que é o Deus triúno
- Pai, Filho e Espírito Santo - que nos
salva, a fé reformada diz claramente na
essência da histórica Fé Cristã.
Consulte, por exemplo, o antigo Credo Apostólico
- a mais antiga confissão cristã,
na qual você encontrará três
seções, cada uma começando
com uma expressão de fé em uma das
três pessoas da trindade: “Deus o
Pai todo poderoso, Criador dos céus e da
terra... Jesus Cristo, seu filho único,
nosso Senhor... [e] o Espírito Santo.”
Nas seções que vem logo a seguir,
nós resumiremos brevemente o ato salvador
das três pessoas da Trindade.
Depravação Total - O homem em seu
estado natural está morto em suas faltas
e pecados.
Esta antiga convicção da igreja
cristã, de que o homem, estando morto,
por suas faltas e pecados (Ef. 2:1,5) - não
pode salvar a si mesmo. Mesmo assim, o ser humano
tenta freqüentemente fazer algo que o traga
para sua própria salvação!
Mas Jesus disse: “Quem permanece em mim,
e eu, nele, esse dá muito fruto; porque
sem mim nada podeis fazer.” (João
15:5). É por essa razão que a Bíblia
diz que Deus é o único autor da
conversão do ser humano. Qualquer pessoa
que ouvir do Evangelho é inclinado por
Deus para aceitá-lo. Ele é livre
para aceitar. Mas, e aqui está o grande
problema, ele não é capaz de aceitar,
porque ele não tem um desejo santo ou vontade
própria para fazê-lo. “Pode,
acaso, o etíope mudar a sua pele ou o leopardo,
as suas manchas? Então, poderíeis
fazer o bem, estando acostumados a fazer o mal?”
(Jer. 13:23). A natureza pecaminosa do homem,
e somente isso, torna impossível para o
ser humano fazer qualquer coisa que o traga próximo
a sua própria salvação. Como
Jesus uma vez disse: “para o homem isso
é impossível...” (Mt. 19:26).
É impossível para aqueles que estão
mortos no pecado receber Jesus Cristo como ele
gratuitamente ofereceu no seu evangelho. Quão
agradecidos nos deveremos ser, então, Jesus
veio dizer, “... porque com Deus todas as
coisas são possíveis.” A Fé
Reformada nos ensina que a habilidade humana sofreu
uma mudança drástica como resultado
da sua queda no pecado. O homem era originalmente
livre e capaz de fazer a vontade de Deus. Mas
“por causa de sua queda em um estado de
pecado”, ele teve “total perda de
suas habilidades de querer fazer qualquer bem
espiritual, junto com a salvação:
então como, um homem natural, sendo adverso
a tudo que seja bom, e morto no pecado, não
é capaz, pela sua própria força,
de converter a si mesmo ou preparar-se para tal
situação?” (CFW, IX: 3). Deus
não tirou do homem a habilidade de fazer
o bem. Tanto que enquanto plano de Deus, o homem
ainda é livre para fazer o bem. Mas ele
não tem a habilidade para fazer o bem;
mas é de fato “totalmente indisposto,
incapaz e feito em oposição a tudo
o que é bom, e totalmente inclinado para
o mal” (CFW, VI: 4). É isto o que
as escrituras ensinam, quando elas dizem, “Por
isso, o pendor da carne é inimizade contra
Deus, pois não está sujeito à
lei de Deus, nem mesmo pode estar”(Rom.
8:7). A depravação do homem, em
outras palavras, é total por natureza.
Eleição Incondicional - Deus o
Pai escolheu soberanamente aqueles que serão
salvos.
Todos os cristãos confessam que Deus é
soberano. Mas não tem valor algum dizer
que Deus é supremo, a não ser que
nós realmente tenhamos a intenção
na inteireza de nossa confissão. Mas ouça:
“Deus, por toda a eternidade, fez, pelo
mais sábio e santo conselho de sua própria
vontade, livremente, e de ordem imutável
tudo aquilo que vier a ser” (CFW, III: 1).
E novamente: “Deus o grande criador de todas
as coisas e mantenedor direto, dispõe,
e governa todas as criaturas, ações,
e coisas, das maiores as menores” (CFW,
V:1). Não existe, em todo universo, algo
como “sorte” ou “chance”.
Este é o ensinamento que significa que
Deus realmente é Deus. Pois como dizem
as Escrituras, “Todos os moradores da terra
são por ele reputados em nada; e, segundo
a sua vontade, ele opera com o exército
do céu e os moradores da terra; não
há quem lhe possa deter a mão, nem
lhe dizer: Que fazes?” (Dan. 4:35). Não
é meramente que Deus pode fazer sua vontade
e sim que Ele realmente a faz - sem nenhuma interferência
de ninguém ou coisa alguma. Mesmo em respeito
ao homem caído em Adão, e o destino
eterno de homens e anjos, a Confissão Reformada
diz que Ele é Senhor de tudo. “Pelo
decreto de Deus, pela manifestação
de sua glória, alguns homens e anjos são
predestinados para vida eterna; e outros, ordenados
de antemão para morte eterna... Seu número
não é certo e definido, e não
pode ser acrescido ou reduzido.” (CFW, III:
3-4). Mas também, que seja imediatamente
observado que esta mesma confissão enfaticamente
nega que Deus seja o autor do pecado ou que a
violência é oferecida pela vontade
das criaturas por seu controle divino (III:1).
Isto parece contraditório, claramente,
por que parece que se Deus controla todas as coisas,
então tem que ser sua culpa se o homem
está condenado. Mas este não é
o caso. As Escrituras não explicam como
Deus determina o destino humano enquanto, assim
mesmo, a responsabilidade total pelos pecados
repousa em nossos ombros. Somente sabemos que
é assim. A diferença da Fé
Reformada e outros tipos de confissões
cristãs não muito consistentes é
que a Fé Reformada não argumenta
ou tenta racionalizar contra a supremacia de Deus.
Não contra aquilo que a Bíblia deixa
claro. É um antigo objetivo da doutrina
da Absoluta Soberania de Deus, que não
pode ser colocado como um meio desqualificado
sem a negação da liberdade humana.
Pois como, é a pergunta, pode o homem ser
livre se Deus controla todas as coisas? Muitos
quando encaram esse problema, imediatamente decidem
que Deus não pode ser absolutamente soberano
no fim das contas. Mas isso não somente
representa equivocadamente a Deus, mas também
faz compreender mal o homem, pelo fato da liberdade
do ser humano ser realmente limitada. Existem
muitas coisas que ele não pode fazer por
causa de suas limitações devidas
à herança, meio ambiente, educação
familiar, e oportunidades. E todas essas limitações
foram impostas por Deus. Ele é verdadeiramente
Senhor de Tudo, e “segundo o propósito
daquele que faz todas as coisas conforme o conselho
da sua vontade” (Ef. 1:11). E - como já
temos visto - o ser humano é também
limitado pela perda de suas habilidades. Então,
não é a soberania de Deus que torna
impossível para o ser humano fazer aquilo
que precisa ser feito! Não, foi a própria
rebeldia que fez isto. Voltemos ao mundo antigo,
antes do dilúvio, e o que você vê?
Vemos o retrato daquilo que o ser humano escolheu
pela sua própria e livre vontade! Mas então
vemos que um homem e sua família forem
salvos da ruína total. Mas por que foi
ele salvo? Era Noé melhor que os outros
homens? Era ele bom o suficiente para escolher
Deus pela sua habilidade natural e inclinação
de seu coração? Se esse fosse o
caso, a Bíblia não teria dito que
ele “achou graça” aos olhos
de Deus. Ela então afirma o seguinte, porque
Noé não merecia a misericórdia
de Deus mais do que qualquer outro; Deus simplesmente
o escolheu. E por que Deus salvou a Abraão?
Seu povo adorava a “outros deuses”
(Josué 24:2), ainda assim Deus o tirou
de Ur dos Caldeus. Deus também fez uma
distinção ainda maior entre seus
descendentes: Ele escolheu Isaque, não
Ismael, como herdeiro da promessa. Então,
para ser ainda mais conclusivo, ele disse para
Isaque e Rebeca antes de seus filhos gêmeos
nascerem, “O mais velho servirá ao
mais moço’... ‘Amei a Jacó,
mas odiei a Esaú” (Rom. 9:12-13).
Ele assim o fez “para que o propósito
de Deus na eleição se mantivesse”
(vers. 11), para esclarecer que não “depende
do desejo humano ou esforço, mas na misericórdia
de Deus” (vers. 16), e para mostrar que
“Deus mostra sua misericórdia para
aqueles a quem ele quer que recebam sua misericórdia,
e endurece aqueles que ele quer endurecer”
(vers. 18). Deus é como um oleiro; de um
pedaço de argila Eles faz “alguns
vasos de bênçãos e vasos de
maldição” (ver. 21). Esta
é a eleição incondicional.
Simplesmente significa que Deus tem a decisão
final sobre os que serão salvos, e Ele
não os escolhe pelo fato de terem algo
diferente em si mesmos. E qual é a reação
mais comum para essa doutrina maravilhosa? Bem,
é mais ou menos assim: “Se eu sou
eleito, serei salvo independente daquilo que eu
venha fazer. E se eu não sou eleito, não
fará nenhuma diferença o que eu
faço ou deixo de fazer, por que Deus não
irá me aceitar de qualquer jeito.”
A natureza corrupta do homem, sempre quer “virar
a mesa” e culpar a Deus ao invés
de si mesmo. Mas os caminhos de Deus não
são os nossos caminhos. Sua eleição
soberana não destrói de forma alguma
nossa responsabilidade. Se seu medo é de
que você não seja eleito, sua posição
é bem parecida com a dos leprosos mencionados
em 2 Reis 7:3-8. Jerusalém estava sitiada
e o povo estava morrendo de fome; do lado de fora
dos muros de Jerusalém estavam os soldados
da Síria. Então um dos leprosos
disse, “Por que ficar aqui até morrermos?...
Vamos ao acampamento dos Sírios e nos render.
Se eles nos pouparem, viveremos; se eles nos matarem,
então morreremos.” Assim é
com pecadores perdidos a oferta do evangelho.
Se ficarem como estão, morrerão;
Se eles buscarem ao Senhor em arrependimento e
fé, não é possível
que faça a situação piorar.
Alem do mais, Jesus disse que ninguém que
faz a sua vontade será rejeitado (João
6:37). A verdade é que o homem natural
odeia a única coisa de que ele mais depende:
ser prostrado de joelhos em reconhecimento de
seu desespero e sua falta de poder para se auto
socorrer. Ainda que somente uma atitude nessa
escala, poderá ser verdadeiramente salva.
O Sacrifício Limitado - O Senhor Jesus
morreu por todos aqueles a quem o Pai concedeu
graça, e somente por eles.
Nós fomos salvos porque Deus, o Pai nos
escolheu para sermos salvos. Mas nós somos
salvos somente pela eleição. Não,
nós somos também salvos pelo sacrifício
sofrido por Jesus na cruz. Pois, como a Bíblia
diz, seu nome seria Jesus porque ele iria “salvar
seu povo de seus pecados” (Mateus 1:21).
Se Deus o Pai elegeu uns para vida eterna, em
outras palavras, então preciso continuar
dizendo que Cristo morreu por uns somente e não
por toda humanidade sem distinção.
Isso, também, faz parte dos ensinamentos
da Fé Reformada. O sacrifício é
limitado - não em seu valor, mas somente
para aqueles a quem foi aplicado. O sangue de
Jesus é precioso; ele tem valor ilimitado.
Também não seria seu valor exaurido
se todos os seres humanos fossem de fato salvos
por ele. Mesmo assim, existe uma limitação
imposta sobre o sacrifício de Cristo, por
desejo do Pai. Aqueles que são salvos pelo
sangue de Jesus Cristo são somente aqueles
de quem a intenção do Pai era de
serem salvos. Mesmo sendo a Bíblia clara,
quando diz que nem todos serão salvos,
algumas pessoas ensinam que foi vontade de Deus
salvar a todos os homens sem exceção.
Esse ensinamento deve ser rejeitado porque sugere
que Deus não é capaz de fazer aquilo
que Ele se propôs a fazer. Outros dizem
que não foi intenção total
de Deus salvar a todos. Dizem que Ele teve a intenção
de salvar toda humanidade fazendo uma parte e
deixando outra parte como responsabilidade humana.
Esse ensinamento também deve ser rejeitado
porque diz que Cristo não é o único
salvador - Ele então precisaria compartilhar
sua glória com o homem pecador. A Fé
Reformada, ecoando as Escrituras, ensina que somente
algumas pessoas serão salvas. Também
nos ensina que somente Deus salva os pecadores,
e então nos ensina que aqueles que são
salvos são aqueles que Deus quis que fossem
salvos. Como Jesus disse ao Pai, falando sobre
si: “assim como lhe conferiste autoridade
sobre toda a carne, a fim de que ele conceda a
vida eterna a todos os que lhe deste” (João
17:2). “assim como o Pai me conhece a mim,
e eu conheço o Pai; e dou a minha vida
pelas ovelhas.” (João 10:15). Nós
sabemos bem que esta doutrina vai contra a razão
natural do ser humano. Já há muito
foi dito, contra esta doutrina, que ela restringe
a esperança da vida eterna para alguns
poucos. Alguns também dizem que se esta
doutrina fosse verdadeira, não haveria
sentido em pregar o evangelho, uma vez que a morte
de Cristo não teve a intenção
de salvar a muitos dos que ouvirem sobre ela.
Mesmo eles tendo a intenção de reduzir
a glória de Deus para aumentar as “chances”
do ser humano, como eles vêem. Eles preferem
dizer que Deus teve a intenção de
salvar a todos com a morte e ressurreição
de Cristo, para assim dar a todo homem e mulher
uma chance, deixando assim a decisão final
para os mesmos! Quão equivocada é
essa idéia; ela sacrifica muito e não
ganha nada. Dizer que Deus meramente quer que
todo homem seja salvo, quantos mais poderão
ser salvos? A resposta é: nenhum! Porque
mesmo aqueles que trabalham em cima de tal teoria
admitem que muitos serão perdidos, como
a Bíblia assim ensina. Esse compromisso
somente parece dar ao ser humano uma melhor “chance”,
mas realmente não o faz. De acordo com
a visão reformada, quantos são salvos
a menos? A resposta é: nenhum. Pois a própria
Bíblia nos ensina que Deus salvará
“uma grande multidão que ninguém
poderá contar” (Ap. 7:9). E quem,
por esse fato, terá menor oportunidade
de ser salvo? A resposta novamente é: ninguém.
Porque nenhum homem pode saber - até morrer
como um não crente - que ele não
é eleito, pela simples razão que
Deus não revelou esta informação
para qualquer não crente. Mesmo assim,
aqueles que vieram a Deus através de Jesus
Cristo descobriram que Ele morreu particularmente
por eles. Eles podem então dizer como Paulo
que o Filho de Deus “me amou e se entregou
por mim” (Gal. 2:20).
Graça Irresistível - O Espírito
Santo soberana e efetivamente aplica a salvação
ao eleito.
Se os homens fossem deixados na dependência
de sua própria força e habilidade
em qualquer ponto no processo de salvação,
nenhum poderia ser salvo. Mas esse não
é o caso. A Fé Reformada ensina
a todos que Jesus orou: “Todo aquele que
o Pai me dá, esse virá a mim; e
o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei
fora.”(João 6:37), e aqueles que
Jesus afirmou: “Ninguém pode vir
a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer;
e eu o ressuscitarei no último dia.”(ver.
44). E é aqui que vemos o ministério
salvador do Espírito Santo. O Deus triúno
verdadeiramente salva seus eleitos pela “iluminação
de suas mentes espiritual e salvificamente para
entender as coisas de Deus, tirando seus corações
de pedra, e dando a eles um coração
vivo; renovando suas vontades, e, pelo seu grandioso
poder, determinando-os para aquilo que é
bom, e efetivamente atraindo-os para Jesus Cristo:
Ainda assim, eles vêm livremente, sendo
feita sua vontade pela Sua graça”
(CFW, X:1). E que se note cuidadosamente que “esse
chamado efetivo é somente pela livre graça
de Deus, não por algo que foi achado nos
homens, os quais são todos agentes passivos,
até serem alcançados e renovados
pelo Espírito Santo, ele (o homem) é
então capaz e responder ao chamado de Deus,
e abraçar a graça oferecida convenientemente
a ele.” (parte 2). Todos os pecadores que
ouvem o evangelho são chamados a se arrepender
e crer. Mas eles não podem fazê-lo,
porque eles estão mortos em seus delitos
e pecados. Então Deus, pela operação
do Espírito Santo, cria em seus eleitos
o poder de fazer aquilo que ele nos ordena. Da
mesma forma como era impossível, Lazaro
estando morto, ouvir a voz de Jesus e ir até
ele saindo da sepultura. Mesmo assim ele ouviu
e saiu da sepultura porque aquele que o chamou
também lhe deu poder para ouvir e obedecer,
assim é nossa conversão. Não
me admira que Paulo tenha perguntado: “Pois
quem é que te faz sobressair? E que tens
tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste,
por que te vanglorias, como se o não tiveras
recebido?” (1Co. 4:7). O divino e soberano
ato de regeneração efetiva pelo
Espírito Santo precedem a atividade humana
de arrependimento e fé. Este claro ensinamento
abrange tanto a indivisível glória
de Deus e a responsabilidade humana. Alguns têm
imaginado que se a regeneração só
é possível pela soberana ação
do Espírito Santo, então alguém
pode sinceramente ter o desejo de ser salvo mas
pode não ter a “chance” de
receber a salvação. Mas a verdade
é que ninguém desejará ser
salvo como Deus deseja, sem antes ser alvo da
ação da graça regeneradora:
“Nós amamos porque Ele nos amou primeiro”
(1 João 4:19). Outros têm pensado
que se Deus converte ao pecador, não há
a necessidade de que o pecador obedeça
aos mandamentos do evangelho tendo assim que se
arrepender e crer em Cristo. Mas novamente, a
verdade é de outra maneira. Porque a única
forma que nós podemos saber se a graça
de Deus foi realmente dada a nós, é
quando temos o desejo de guardar os mandamentos
do Senhor. “Ora, sabemos que o temos conhecido
por isto: se guardamos os seus mandamentos.”
(1 João 2:3). Todo aquele que atende ao
chamado da graça de Deus, tem então,
unicamente nesse ato, a única evidencia
que a graça lhe foi concedida por Deus.
Como o Apóstolo Pedro disse: “Visto
como, pelo seu divino poder, nos têm sido
doadas todas as coisas que conduzem à vida
e à piedade, pelo conhecimento completo
daquele que nos chamou para a sua própria
glória e virtude,” (2 Pedro 1:3).
Todos aqueles que recusam obedecer ao evangelho
têm somente a si mesmos para culpar; mas
todos os que vêm à presença
de Cristo, têm somente a Deus para agradecer.
Perseverança dos Santos - Aqueles que
são verdadeiramente salvos nunca se perderão.
Como temos visto até agora, os ensinos
reformados têm uma visão de Deus
muito mais enaltecida e uma visão sobre
o homem, bem mais reduzida do que é comum
entre os seres humanos. Não há dúvidas
de que é por isso que a natureza humana
não consegue aceitar a fé reformada,
ao mesmo tempo em que o homem pode vir a concordar
com teorias mais fáceis ou formas mais
“aceitáveis” de cristianismo
que são ensinadas. Não há
dúvida de que é por isso também
que Jesus disse a Pedro, assim que ele entendeu
esse ensinamento, “Bem-aventurado és,
Simão Barjonas, porque não foi carne
e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está
nos céus.” (Mateus 16:17). Nada além
da poderosa e soberana graça de Deus pode
fazer com que o ser humano aceite esse fato. Mas
nós não devemos imaginar que o crente
reformado é mais pobre por essa causa,
porque o beneficio é muito maior do que
o custo. Porque se ao homem pecador que ele reconheça
que não pode fazer nada por si mesmo, isso
o põe ao alcance de uma bênção
incomparável: “Aqueles que Deus aceitou
como seus amados... não podem nem totalmente
ou finalmente cair de seu estado de graça,
mas certamente irão perseverar íntegros
até o fim, e ser eternamente salvos.”
(CFW, XVII:1). Eles não podem “cair
da graça” porque Deus traz a obra
da salvação a um estado de perfeição
que é exclusivamente Seu. E isso tudo é
verdade, apesar de uma aparência (mas não
realidade) de graça em hipócritas
e as tendências ao pecado em verdadeiros
crentes. Agora, como todos sabem, existem aqueles
que parecem ter caído da graça.
Eles parecem ter interesse em Cristo, mas então
perdem todo e qualquer interesse N’Ele.
Como então, pode-se perguntar, podemos
ter certeza de que todos aqueles que são
escolhidos por Cristo perseverarão na fé?
A resposta é encontrada na Bíblia:
“Eles saíram de nosso meio; entretanto,
não eram dos nossos; porque, se tivessem
sido dos nossos, teriam permanecido conosco; todavia,
eles se foram para que ficasse manifesto que nenhum
deles é dos nossos.” (1 João
2:19). Se os seres humanos fossem salvos por Deus,
para depois se perderem novamente por causa de
seus atos, então Deus seria um fracasso!
E isso parece acontecer. Mas isso não acontece
de forma alguma, porque “Estou plenamente
certo de que aquele que começou boa obra
em vós há de completá-la
até ao Dia de Cristo Jesus.” (Filipenses
1:6). Todos aqueles que realmente pertencem a
Ele “...pelo poder de Deus, mediante a fé,
para a salvação preparada para revelar-se
no último tempo.” (1 Pedro 1:5).
Este ato é de que se deve totalmente ao
poder de Deus, e não à força
vinda do crente; mesmo os cristãos verdadeiros
não podem fazer nada por si próprios.
Existe, pela criação e sustentação
da graça de Deus, uma fé insaciável,
um desejo por Deus no coração de
cada verdadeiro crente, que é encorajado
e capacitado para lutar o bom combate da fé,
mantendo-se fiel até o fim. Como poderia
Deus ser verdadeiramente Deus se Ele não
aperfeiçoasse a boa obra, a qual Ele mesmo
começou em nós?
Pactualmente Ordenado
a. Os Pactos
A palavra pacto pode ser definida como a “concessão
voluntária da parte de Deus”(CFW,
VII: 1) pela qual Ele (o criador) capacita o ser
humano (suas criaturas) a obedecer, glorificar,
e gozá-lo. A Confissão de Fé
de Westminster reconhece dois pactos:
1. O pacto das obras
“O primeiro pacto feito com o homem foi
o pacto das obras, na qual a vida foi prometida
a Adão; e nele para sua prosperidade, na
condição de uma obediência
perfeita e pessoal” (VII:2). Adão,
constituído por Deus para ser o cabeça
de toda raça humana, quebrou esse pacto.
Ele (e com ele) e toda humanidade pecaram e caíram
pela transgressão do mandamento de Deus.
Tornou-se então impossível para
qualquer descendente de Adão que fosse
gerado após esse fato, gozar então
a vida eterna. Toda e qualquer pessoa, a não
ser pela intervenção de Deus, estaria
morta no pecado, condenada, e destinada à
punição eterna.
2. O pacto da Graça
Sim, Deus interveio! “Deus, não meramente
pelo seu prazer próprio, por toda eternidade,
elegeu alguns para vida eterna, trazendo-nos assim
para um pacto de Graça, para livrar o ser
humano de seu estado de pecado e miséria,
e trazê-los a um estado de salvação
através da pessoa do redentor.” (Catecismo
Menor, Pergunta 20). Nossa fé reformada
insiste que só há um, e um somente,
caminho para a salvação, através
do Redentor, Jesus Cristo. Todos aqueles que são
trazidos para esse estado de salvação,
desde Adão até a ultima pessoa sobre
a face da terra, entrarão pelo pacto da
graça. A mais simples e básica divisão
da Bíblia não é entre o Antigo
e Novo Testamento (Como afirmam os dispensacionalistas),
mas entre Gênesis 1:1 a 3:16 e o resto da
Bíblia. Após a quebra do pacto das
obras, Deus nos introduz em um gracioso pacto
de salvação através do Antigo
e do Novo Testamento. Há uma única
igreja por todos os tempos. Verdade, essa igreja
única existe tanto na era da promessa (O
Velho Testamento) e na era do cumprimento de toda
profecia (O Novo Testamento). “Portanto
não existem dois pactos de graça,
diferentes em substancia, mas somente um único,
debaixo de várias dispensações.”
(CFW, VII:6). Essa igreja única possui
um mediador, O Senhor Jesus Cristo. Quando o Verbo
de Deus se encarnou, Ele se tornou o profeta.
Como aquele que veio eliminar o pecado e ser o
servo perfeito de Deus, Ele também é
o Sacerdote. Como o juiz e defensor da igreja
de Deus, Ele é o Rei.
b. O Pacto e a Igreja
A Igreja Presbiteriana do Brasil é uma
igreja apostólica. Não, nós
não continuamos o oficio dos apóstolos,
mas nos esforçamos de todas as formas para
que continuemos nas práticas e doutrinas
apostólicas das igrejas do Novo Testamento
(Atos 2:42). Nós cremos que pela graça
de Deus nós somos incluídos no grupo
daqueles que Deus acolheu em seu pacto de graça
através do seu filho Jesus Cristo, em quem
todos os mistérios e promessas do Antigo
Testamento foram completos.(CFW, VII:5; 2Cor 1:20).
Então, vemos a nós mesmos e nossas
crianças batizadas como um só corpo
com o povo de Deus em todos os tempos, laços
de um relacionamento especial que Deus estabeleceu
há muito tempo atrás com Abraão
(Gal. 3:15 - 27; Gen. 17:7; Atos 2:37 - 39), que
é o pai de todos aqueles que verdadeiramente
crêem. E, com a comunidade escolhida no
pacto, de todas as gerações, nossa
fé reformada enfatiza a importância
dos membros e presença junto à comunidade
nas vidas dos filhos de Deus (CFW, XXX:2). Nós
não chamamos a Igreja Presbiteriana do
Brasil uma verdadeira igreja de Cristo porque
cremos que somos os únicos cristãos
em nosso país. Ao invés de fazer
isso, nós nos chamamos assim porque magnificamos
a graça de Deus, que tem nos constituído
como denominação de maneira (mesmo
sendo nós imperfeitos) que tudo possa ser
feito de acordo com a Santa Palavra de Cristo,
aquele que é o único Cabeça
e Rei da Igreja. Jesus nos ensina que seu rebanho
ouve sua voz e o segue, e esse rebanho simplesmente
não ouvirá a voz de qualquer estranho.
Com louvor a Deus, então, nos regozijamos
pois, pela misericórdia de Deus, nós
também somos membros do seu rebanho e podemos
ouvir a voz do Bom Pastor.
Batismo Infantil
“Batismo é um sacramento, de maneira
a purificar com água no nome do Pai, do
Filho e do Espírito Santo, o que significa
e sela nossa aliança com Cristo, e partilhando
os benefícios do pacto da graça,
e nossa declaração que verdadeiramente
somos de Deus” (CM, P. 94). Batismo é
o sinal do pacto da graça durante a era
do Novo Testamento, como foi a circuncisão
durante o Antigo Testamento (ver Col. 2:11-12).
Os Cristãos Reformados entendem que o batismo
deve ser aplicado, então, a todos aqueles
com quem Deus estabeleceu seu pacto de graça,
mais claramente, com os crentes em Cristo e também
com seus filhos. È importante enfatizar
que não há um texto bíblico
explícito que determine o batismo infantil.
Se houvesse, todas as igrejas que crêem
na Bíblia iriam então praticá-lo.
Contudo, a vontade de Deus não é
somente “expressamente descrita nas Escrituras”,
mas também “por uma conseqüência
boa e necessária, pode ser deduzida das
Escrituras” (CFW, I:6). O argumento de defesa
para o batismo infantil pode ser apresentado na
forma de silogismo:
Premissa Maior
Todos participantes no pacto da graça devem
receber o sinal de tal pacto.
Premissa Menor
As crianças, filhos dos crentes são
também participantes do pacto da graça.
Conclusão
As crianças, filhos dos crentes devem também
receber o sinal do pacto da graça. Se as
duas premissas são verdadeiras, a conclusão
é incontestável. E é isso
o que a confissão descreve como “conseqüência
boa e necessária” A única
forma de evitarmos o batismo infantil dos filhos
dos crentes é se negarmos uma dessas verdades.
Poucos negariam a premissa maior, mas dispensacionalistas
claramente negam a premissa menor. Eles afirmam
que as crianças filhos de crentes nunca
foram participantes do pacto da graça.
Uma vez que, durante a era do Antigo Testamento,
eles participavam da nação de Israel
e recebiam o sinal de sua participação
no pacto - a circuncisão. Mas, dizem eles
(dispensacionalistas), que crianças não
participam do pacto da graça, porque esse
pacto existe somente a partir do Novo Testamento.
Uma vez que não existe um texto que ordena
o batismo infantil, então não se
deve fazer. Entretanto, o pacto da graça
existe durante as duas eras (AT e NT), e os filhos
dos crentes eram obviamente participantes do pacto
durante o Antigo Testamento. Deus determinou isso
(ver Gen. 17:10). Agora, uma vez que Deus não
alterou seu pacto (Salmo. 89:34), nós não
nos surpreendemos que não haja um texto
no Novo Testamento indicando que os filhos dos
crentes que eram participantes do pacto, agora
já não são mais. Ao contrário,
Colossenses 2:11 e 12 traçam um paralelo
especifico, entre batismo e circuncisão;
aqueles que eram então circuncidados, que
sejam agora batizados. E Atos 8:12 mostra que
o novo sinal da aliança foi dada as mulheres
assim como aos homens. O Batismo é um sacramento
totalmente passivo, partindo de nosso ponto de
vista. Isso não significa que em todos
os aspectos da aplicação da salvação
prometida no pacto da graça, o individuo
batizado seja totalmente passivo. Eles (ou elas)
são verdadeiramente ativos em seu processo
de conversão e santificação.
Ao invés disso, o que realmente significa
é que o individuo batizado e não
se auto-batiza. Os Pais não batizam seus
filhos. Falando diretamente, nem mesmo o ministro
(pastor, igreja...) os batiza, no sentido de efetuar
algo. Nós não fazemos nada no batismo;
ao invés disso, Deus faz algo. Ele, através
do cumprimento de um mandamento pela igreja, dá
uma identidade a crianças, jovens e velhos,
de sua família do pacto, os alvos de sua
graça e de todas suas maravilhosas bênçãos.
d. Todas as Vidas Redimidas
O povo reformado não limita seus locais
ou ambientes de culto e louvor, somente à
igreja. Isso ocorre pelo fato de nossa fé
reformada nos ensinar que Jesus Cristo é
rei de todo o mundo e sobre todas as áreas
de nossas vidas (CFW, XIX:5; XXIII:1-4). Os crentes
reformados então sujeitam ativamente a
ordem integral da criação ao senhorio
de Cristo. O humanismo secular se tornou o maior
inimigo da igreja nos nossos dias. Esse inimigo
capturou os corredores de poder e influência
no mundo de hoje, onde um dia já houve
uma influência cristã sadia. Para
combater a secularização do mundo,
os crentes reformados devem ser ativos nos campos
da política, educação, economia,
lei, ciência, trabalho, etc. Prontos para
abraçar a causa de Cristo, qualquer que
seja a sua perspectiva de vida. Desde membros
do Congresso Nacional que se opõem ao aborto,
até ajudas em momentos de tribulações
entre os necessitados, como também dando
auxilio a famílias despedaçadas
e crianças, vítimas de abusos (físicos
e psicológicos), o povo reformado crê
que sua fé é relevante para a transformação
de vidas conformadas e frias, para os padrões
divinos de justiça e moralidade. Sim, deve
existir liberdade e justiça para todos,
de acordo com os padrões de Deus e não
de homens! |